Uma frase que escuto com freqüência e que me arrepia – não é no sentido positivo – é “o ótimo é inimigo do bom”. Quando escuto já penso “ai, ai”. Vamos entender o contexto a que me refiro. Quando se tem um produto desenvolvido, pronto para estrear, mas que por perfeccionismo ou insegurança não é nunca lançado – se fica protelando, protelando, protelando – o timing passa e boas oportunidades podem ser perdidas. É que nem se diz na música: você não termina uma canção. Você desiste dela. Mas é preciso saber a hora de desistir, caso contrário, se corre o risco de estragar o que já estava bom. Neste contexto, o ótimo é inimigo do bom.
Mas, ouvir isso em um projeto que está começando, é praticamente uma sentença de que ele “dará para o gasto”. Isso me entristece, pois dá uma sensação de déja vu. Normalmente pelos prazos curtíssimos e pressão arrebentando as artérias, a opção é estrear logo e fazer as melhorias na sequencia. Mas, pode experiência, na maioria das vezes essas fases de melhorias são esquecidas e nunca acontecem. Depois que um projeto estréia, ele deixa de ser prioridade e você fica com esse produto meia boca até que o “novo” projeto aconteça.
Outras vezes, o custo para a refação e para as novas implementações é tão alto, que não compensa mexer no que já está pronto. Seria bem mais lógico modificá-lo ainda em desenvolvimento, não após a estréia.
Pela pressa, as pessoas só fazem o bom e esquecem do seu melhor. Talvez isso explique por que existem muitas empresas boas e poucas realmente ótimas.
Agora imagina se a gente não estivesse falando de um projeto e-Business, mas sim, de um projeto para construção de uma aeronave. Você chega para conversar com o engenheiro e comenta: “parece que será uma ótima aeronave”! Ele se vira e diz “o ótimo é inimigo do bom. Mas venha voar com a gente quando ela estiver pronta”. O quê??? Eu??? Nem f…
Até a próxima!
Juliana Germann